A postura do formulador neste mundo entre o verde & o negro

Por Sonia Corazza

Lendo artigos sobre o efeito devastador dos plásticos nos biomas, como Trashed Across the Pacific Ocean, Plastics, Plastics, Everywhere , de Charles Moore, não há como se sentir tranqüilo cada vez que se participa de uma reunião de desenvolvimento de novos produtos cosméticos. É incrível como a maior parte dos profissionais atuantes na nossa área ainda não se deu conta da importância do movimento "pensar maior" antes de fazer qualquer projeto de uma nova embalagem, de um novo produto. Incrível, mas mesmo com a divulgação cada vez mais ampla do que os 100 milhões de toneladas de plástico produzidos anualmente causam de dano nas cadeias ecológicas do planeta, pouco ou quase nada vem sendo feito. O "ocean plastic", lixo denominado sopa plástica, camada flutuante que já é considerada a maior concentração de lixo do mundo, tem cerca de 1000 km de extensão, vai da costa da Califórnia, atravessa o Havaí e chega a meio caminho do Japão, atingindo uma profundidade aproximada de 10 metros- e isso é só 10% do destino do total de plástico produzido.

Ruim por fora, pior por dentro

O artigo publicado no jornal londrino, The Independent, health&wellbeing, por Jeremy Laurance, em 14 de agosto último, sob o título Moisturisers ’raise skin cancer risk’ , mostra a conclusão dos pesquisadores da Universidade de Rutgers, New Jersey, que hidratantes usados diariamente podem aumentar os riscos de tipos comuns de câncer.
Os cientistas a princípio pesquisavam o poder benéfico da cafeína, aplicada topicamente ou ingerida, como ativo inibidor de tipos comuns de câncer de pele. O fato que os deixou estupefatos foi que no testes usando somente a base dermocosmética, sem ativo, houve produção de tumores com atividade carcinogênica em 69% dos camundongos cobaia que haviam sido expostos previamente a radiação UV. Obviamente o Journal of Investigative Dermatology está aprofundando tais estudos, mas eu fico aqui pensando, o que fazer?

Diariamente somos massacrados por estudos que mostram os males de ingredientes comumente usados em cosméticos a décadas. Periodicamente nos agarramos em uma ou outra direção, que parece ser mais segura e eficaz para formular materializando o binômio, segurança + eficácia. E no momento que imaginamos estar em porto seguro, preparando um produto que segure a água fundamental na camada córnea, apenas para manter o nível de hidratação saudável do que a epiderme tem de mais superficial, um trabalho como esse cai na nossa frente e derruba toda e qualquer expectativa de segurança.

Pensar mais para produzir só o melhor

Se embalagens e ingredientes precisam ser biodegradáveis, ecologicamente corretos, seguros, eficazes, qualificados, inovadores e tanto mais, sinceramente, acredito que é hora de pensar com coerência amplificada, afinal esse é o único planeta que temos...pelo menos por enquanto!

Copyright Sonia Corazza

[09/2008]

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